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O Partido da Social democracia Brasileira

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A História do PSDB

A história do Brasil, todos conhecem, mas relembrar alguns capítulos dos acontecimentos mais recentes ser faz necessário para que possamos entender melhor como se chegou à constatação da necessidade da criação de um partido de cunho e compromisso social democrata.

O Brasil viveu, a partir de 1964, com o golpe militar do dia 31 de março, em um regime ditatorial. As forças armadas eram pleno-potentes, indicavam os presidentes da república, prefeitos de capitais e das cidades ditas de segurança nacional, senadores biônicos, etc. Os direitos mais elementares dos cidadãos eram desrespeitados a todo o momento.

Apenas dois partidos estavam autorizados a funcionar no País, a ARENA que representava o regime militar e tinha como seguidores todos os que apoiavam o Governo de Exceção e o MDB que reunia aqueles que se opunham ao Governo Militar, pois queriam o restabelecimento da democracia plena, não apenas de fachada.

A luta pelo restabelecimento da democracia custou vidas, mandatos e inúmeros sacrifícios de brasileiros que não admitiam se curvar ante a feroz opressão à época praticada.

O Brasil ia mal. O Governo era incapaz de resolver os grandes e graves problemas que impunham à grande maioria de seu povo sofrimento e lhe causavam desesperança.

O governo militar, finalmente, enfraquece. No inicio da década de 1980 os movimentos em favor da democracia são cada vez mais fortes e freqüentes. Em 1984 quase a totalidade dos brasileiros, sob a liderança de grandes estadistas saiu às ruas para exigir o direito de escolher direta e livremente o futuro Presidente da República. Merecem destaque como líderes das Diretas Já: Mario Covas, Franco Montoro, Teotônio Vilela – o menestrel das Alagoas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Trancredo Neves, Ulysses Guimarães. O movimento foi de tal forma arrebatador que, apesar de não se ter conseguido recuperar o direito de votar diretamente para presidente naquele ano de 1984, muitos deputados e senadores que até então apoiavam incondicionalmente o Governo Militar, mudaram de lado, elegendo no Colégio Eleitoral, à época constituído pelos Deputados Federais, Senadores e por representantes das Assembléias Legislativas, o candidato de oposição, Tancredo Neves para Presidente e José Sarney para ser seu Vice.

Não era bem o que todos os brasileiros queriam, mas a eleição indireta se tornara o caminho mais curto para se alcançar aquilo que por tantos anos se lutou, o retorno à democracia.

Tancredo Neves, entretanto, adoece na véspera de sua posse, assume a Presidência, interinamente, o seu Vice José Sarney. A doença de Trancredo se agrava e o leva a morte em abril de 1985. O Brasil se frusta, mas mesmo assim apóia o Governo de José Sarney, na certeza de que os ideais de todos quantos juntos caminharam até aí não podiam ser deixados de lado.

O Brasil precisava construir um novo tempo, criar um marco que definisse a nova jornada. Para a construção de um Brasil novo e mais justo o Governo convoca a Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados que se elegessem no pleito de 1986 emergiriam das urnas com poderes constituintes. A campanha eleitoral tratou exaustivamente o tema da nova constituição. Os brasileiros criaram forte expectativa em torno dos benefícios que uma boa constituição poderia lhes proporcionar.

Em 1987 instala-se a Assembléia Nacional Constituinte. Lá dentro do Congresso Deputados e Senadores se organizando para a grande missão, aqui fora, os brasileiros, todos, acreditando que a nova constituição pudesse, tal qual um passo de mágica, resolver todos os nossos graves e grandes problemas, fruto de longos anos de administrações insensíveis e distantes da população que mais necessitava da ação governamental.

Diariamente, éramos informados sobre o andamento do trabalho dos constituintes. Muitos se destacaram por seu empenho no aprofundamento do debate de temas importantes para o cenário nacional.

Ao longo do processo foram surgindo grupos que se identificaram em função de suas crenças com relação aos brasileiros, ao governo, aos governantes, aos representantes do povo, à democracia, etc.

O Movimento de Unidade Progressista – MUP reunia um punhado de parlamentares, sob a liderança de um político de conduta irreparável, Mário Covas. Ferrenhos debates foram travados por este grupo na defesa de avanços que a constituição brasileira hoje consagra.

Em 1988, já na fase final de elaboração da nossa atual constituição, conhecida como a constituição cidadã, por resgatar diretos que até então não eram reconhecidos, estes parlamentares concluíram que todo o trabalho que realizaram até ali não podia parar. Era necessário que um partido novo se constituísse para ser verdadeiramente guardião da democracia e que se comprometesse com o ideal social democrata.

Assim, antes mesmo da promulgação da constituição, que ocorreria em 05 de outubro daquele ano, em 25 de junho de 1988, quarenta lideranças nacionais lançam o Manifesto de Fundação do PSDB. O sonho vira realidade, nasce o novo partido de vocação social democrata.

O manifesto de fundação do Partido, traz na abertura a seguinte mensagem: “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”.

O manifesto tucano estabelece os princípios e objetivos da nova agremiação, com destaque para:

  1. Defesa da democracia
  2. Parlamentarismo como sistema de governo
  3. Desconcentração do poder, descentralização administrativa e orçamentária, priorizando a municipalização das ações de governo
  4. Melhoria dos serviços públicos básicos e de distribuição de renda para que a miséria seja erradicada;
  5. Combater as desigualdades regionais;
  6. Promover o desenvolvimento do mercado interno e a integração soberana do Brasil no sistema econômico internacional;
  7. Reformar a administração pública;
  8. Efetivar a reforma agrária;
  9. Reforma do sistema financeiro nacional a fim de adequá-lo às necessidades de desenvolvimento;
  10. Defender uma política permanente de proteção ao menor;
  11. Lutar pela efetiva igualdade dos direitos e deveres do homem e da mulher nos campos econômico, político e social;
  12. Lutar pela erradicação do analfabetismo e pela universalização do atendimento escolar, oferecendo escola pública gratuita, democrática e de boa qualidade;
  13. Assegurar a presença do Brasil no plano internacional.

Com estes princípios e objetivos, rapidamente, a semente do novo partido, PSDB, lançada em nível nacional, se espalha por todo o Brasil, de norte a sul. Os diretórios municipais vão se multiplicando. O PSDB se encoraja e, já em 1988, disputa as eleições em muitas cidades, elegendo prefeitos, vices e vereadores. O PSDB sai vitorioso das urnas.

Em 1989, o PSDB disputou a primeira eleição direta para a Presidência da República, após os mais de vinte anos de regime militar. Mario Covas foi o candidato do Partido. Ao percorrer todo o Brasil, promovendo a campanha presidencial, Mario Covas abonava milhares de fichas de novos filiados que aderiam ao ideal social democrata.

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